Folha de São Paulo chama atenção para a necessidade da mudança do modelo remuneratório na saúde

O momento é de migrar para novos modelos de pagamento, que diferentemente da conta aberta, estejam vinculados à segurança e eficiência assistenciais, evitando desperdícios.


Um dos principais desafios do Brasil, se não o maior desafio, é lidar com as mazelas na saúde do país. Para isso, o modelo de reorganização do sistema de saúde precisa ser priorizado. Mas como promover tais ações sem depender de órgãos públicos e incentivos do governo?

Em matéria publicada no último dia 25 de agosto pelo jornal Folha de São Paulo, foram divulgados alguns temas que merecem atenção no setor. Entre eles, o aumento da cobertura de atenção primária, a integração entre sistemas de dados em saúde e a ampliação na participação de enfermeiros e outros profissionais no cuidado com o paciente. Esses temas de atenção coincidem com aqueles apresentados no 2° Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, que teve como objetivo principal alertar para o impacto dos eventos adversos evitáveis.

 

Como responder aos desafios

Com a aplicabilidade do DRG Brasil, cerca de onze milhões de vidas já foram beneficiadas com a metodologia, que está presente no país desde 2012. A sigla DRG significa Grupos de Diagnósticos Relacionados, e consiste em um sistema de categorização de pacientes internados em hospitais em grupos homogêneos. Ou seja, os pacientes alocados em um mesmo grupo de DRG possuem condições clínicas similares, que por sua vez irão determinar um consumo de recursos também similar. A partir daí é possível adotar modelos remuneratórios diversos e integrados.

Segundo a coluna escrita por Cláudia Collucci e Natália Cancian, o impacto para mudança é alto e o tempo para implementação é de médio a longo prazo. De acordo com o gerente executivo do DRG Brasil, Breno Duarte, tais ações dependem, além de normas e decretos, de esforços do sistema de saúde para a construção diária de um sistema que seja centrado no paciente, de forma segura e sustentável. E a experiência nacional com o DRG Brasil é fundamental para melhoria dos processos, como é possível constatar em mais de 455 instituições, entre hospitais e operadoras da saúde suplementar e SUS.

“Os usuários do DRG Brasil entendem que é necessário implantar ações claras e objetivas para que os resultados apareçam, ainda em curto e médio prazos. Essas ações devem focar os quatro alvos que regem a metodologia: redução do tempo de permanência, aumento da segurança assistencial, redução das admissões hospitalares e redução do ICSAP (Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária)”, afirma.

 

 O Gerente Executivo do DRG Brasil, Breno Duarte: novos modelos de remuneração para substituir a conta aberta.

 

O modelo remuneratório mais utilizado no Brasil é o fee for service, no qual o prestador é remunerado por procedimento. Neste modelo, são definidos o valor do serviço prestado mediante tabela de preços que é estipulada entre prestadores e pagadores. Dessa forma, remunera-se pela quantidade e não pela qualidade. “Em contrapartida, com a metodologia DRG Brasil é possível remunerar por valor, por bundle e por pacote. Instituições como a Unimed BH, por exemplo, utilizam o pagamento por valor, enquanto o Hospital Mãe de Deus e a Unimed Porto Alegre trabalham com pagamentos por bundle.”, explica Breno.

Esses modelos de remuneração, diferentemente da conta aberta, estão vinculados à segurança e eficiência assistenciais – evitando desperdício tanto para quem pratica, quanto para quem recebe o cuidado, sendo este o maior benefício de quem usa o DRG Brasil.

 

IAG Saúde participa de encontro sobre modelo remuneratório para operadoras de saúde

No último dia 10 de agosto, o IAG Saúde participou, no Rio de Janeiro, da reunião do Grupo Técnico de Modelo Remuneratório, que teve como objetivo a discussão de projeto piloto que visa mudar os rumos na forma de pagamentos para operadoras de saúde. Participaram do evento representantes do setor, o Comitê Técnico de Avaliação de Qualidade Setorial (COTAQ) e o gerente executivo do DRG Brasil, Breno Duarte. A conversa foi uma oportunidade de ampliar o olhar para os avanços vitais ao sistema de saúde, bem como para a avaliação do fee for service como modelo remuneratório no Brasil e suas alternativas mais sustentáveis.