Resultados de redução de desperdícios pela ferramenta DRG foi destaque em evento



 

Presidente do IAG Saúde foi o primeiro palestrante da 8ª edição do Seminários de Gestão

 

 

 

 

Diminuir custos de desperdícios e aumentar recursos de sustentabilidade na gestão da saúde. Estas questões foram apresentadas pelo presidente do IAG Saúde, médico Renato Camargos Couto, na palestra inicial da 8ª edição do evento Seminários de Gestão, na sexta-feira (3), no Hotel Continental. O evento foi promovido pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL), Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA) e Associação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (AHRGS).

 

 

O tema central desta edição foi “Performance, Resultados e Valor em Saúde”. Evento prestigiado na área de gestão de saúde, contou mais uma uma vez com auditório lotado. O evento teve como patrocinador o Banrisul, o portal Setor Saúde como veículo de comunicação oficial do evento e a Fasaúde foi a instituição de Ensino Superior responsável pela emissão dos certificados do evento. A certificação oficial é da FASAÚDE/IAHCS, e os apoiadores desta edição foram IAHCS Acreditação e Sterycicle.

 

A abertura foi realizada pelo presidente da FEHOSUL - e da Organização Nacional de Acreditação (ONA) -, Dr. Cláudio José Allgayer. “É necessário destacar nossa área de educação, que mais uma vez apresenta temas contemporâneos indispensáveis para a melhoria da gestão em saúde. Quero também exaltar a ilustre presença de nosso vice-presidente licenciado, deputado Pedro Westphalen, a voz da saúde na assembleia estadual. Agora ele irá nos representar, com certeza, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Boa sorte amigo, tenho certeza que a área da saúde gaúcha estará representada com sua candidatura a deputado federal, após quatro mandatos e dezesseis anos de defesa de nossa categoria aqui no Rio Grande do Sul”, falou Allgayer.

 

RENATO COUTO

 

O presidente do Instituto de Acreditação e Gestão em Saúde (IAG Saúde), médico Renato Couto, apresentou o tema “O que é, como medir e entregar valor em saúde”. O primeiro tópico abordado na palestra foi medicina baseada em valor, com a apresentação do The Patient Protection and Affordable Care Act (popularmente conhecido como Obamacare), implantado a partir de 2010 nos Estados Unidos.

 

Entre as melhorias promovidas pelo modelo, o presidente do IAG Saúde citou a busca de melhores resultados assistenciais, a melhor experiência do cliente internado no hospital, e a eliminação ou redução de eventos adversos. Além disso, Couto salientou o crescimento do percentual do pagamento baseado em valor nos EUA. O pagamento realizado aos hospitais pode sofrer redução, caso não seja ultrapassado o percentual estabelecido de condições adquiridas. Além disso, um índice anual de readmissões também impacta no pagamento.

 

 

 

Em seguida, foi apresentado pelo palestrante a implementação e resultados trazidos pelo DRG no Brasil. Couto, co-fundador da DRG Brasil, abordou a aplicação da ferramenta, presente em mais de 450 hospitais e operadoras de planos de saúde em todas as regiões do país.

 

SOBRAM EXPERIÊNCIAS E BONS RESULTADOS DE REDUÇÃO DE DESPERDÍCIOS

 

De acordo com o palestrante, não há problemas na saúde do Brasil por falta de dinheiro, mas sim pelo desperdício na gestão dos recursos. O médico salientou que os modelos de remuneração vigentes entre hospitais e operadoras fazem parte deste quadro de desperdício existente no país.

 

Couto afirmou que “sobram experiências e resultados bons” de redução de desperdícios nos hospitais brasileiros. O que falta, de acordo com o médico, é mudança de cultura e alvo. Ele explicou como funciona a ferramenta DRG Brasil, que reúne pacientes em grupos. Com 26 anos de experiência em gestão hospitalar, o médico disse que o uso adequado de recursos garante uma medicina de qualidade. "O DRG é uma metodologia com o foco no paciente", afirmou.

 

DRG ATENDE 11,8 MILHÕES DE PESSOAS NO BRASIL, NÚMERO MAIOR QUE A POPULAÇÃO DE DIVERSOS PAÍSES

 

Para explicar a implementação do DRG no Brasil, o presidente do IAG Saúde salientou que a ferramenta atende 11,8 milhões de brasileiros, número que supera a população de diversos países – como Portugal, Suécia, Áustria, Dinamarca, Finlândia. De acordo com Couto, em 14 anos de existência, o DRG Brasil já contemplou 1,3 milhão de altas hospitalares, 129 operadoras, e mais de 200 hospitais apresentaram redução de desperdícios e aumento de segurança assistencial.

 

O palestrante salientou que a maior experiência brasileira de pagamento por valor é da Unimed Belo Horizonte (BH), com 1,3 milhões de pacientes envolvidos – “é maior do que a maioria das cidades brasileiras”. Portanto, não é difícil de ser implementada em outros lugares, disse o presidente do IAG Saúde.

 

“A Unimed BH concentrou os indicadores nos alvos de desperdício”, explicou Couto. A Unimed implementou um selo de excelência assistencial, com as seguintes dimensões estabelecidas: segurança; acesso; desempenho; experiência do cliente; e certificação (acreditação). A partir da implementação do DRG, a Unimed BH identificou desperdícios, como tempo de permanência além do necessário, reinternações, entre outros.

 

“O incentivo dado a quem atingiu os índices foi de 3% da receita a mais. A Unimed BH deu R$ 22 milhões a mais para a rede hospitalar em um ano. Para ilustrar como foi economizado, Couto apresentou os dados que apontam redução da taxa de permanência além do necessário, o que gerou um ganho de produtividade de R$ 57 milhões.

 

Em seguida, o médico apresentou os exemplos do impacto do DRG no Hospital Márcio Cunha, de Minas Gerais – o primeiro com acreditação de excelência da ONA – que, mesmo com o aumento de complexidade dos pacientes no período avaliado (2016 e 2017), resultou em redução de 25% do tempo de permanência dos pacientes no hospital, otimização da notificação de eventos adversos e melhores índices de segurança do paciente – com redução de mortes por condições adquiridas.

 

De janeiro a julho de 2017 (período de implantação do DRG no hospital mineiro), foi reduzido o tempo de permanência em 8.995 dias, que gerou uma diminuição de custo de R$ 4,8 milhões de reais. “Foi possível internar 1.995 pacientes a mais sem qualquer ampliação de leitos”, explicou o presidente do IAG Saúde, que também apresentou dados do Hospital Santa Rita, de Contagem (MG), em que a implementação do DRG solucionou os problemas de ineficiência do uso de leitos em casos cirúrgicos.

 

A próxima edição já tem data marcada, 18 de outubro, e abordará o tema SAÚDE DIGITAL E TELEMEDICINA. Em breve, as organizações promotoras divulgarão os nomes dos especialistas e os assuntos que serão apresentados.

 

 

Fonte: Setor Saúde

Matéria publicada pelo setor de Jornalismo da FEHOSUL - Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul.