Trabalho utilizando o DRG Brasil como ajuste da complexidade ganha premiação em congresso da AMECI



 

Trabalho sobre o impacto econômico das complicações relacionadas à internação foi premiado em 3º lugar no I Congresso Mineiro de Epidemiologia, Prevenção e Controle de Infecções

 

Além disso, os autores apresentaram um pôster, intitulado “Epidemiologia dos Eventos Adversos Assistenciais em um Hospital Geral de Belo Hozironte”.

 

A primeira edição do Congresso Mineiro de Epidemiologia, Prevenção e Controle de Infecções foi realizado pela Associação Mineira de Epidemiologia e Controle de Infecções – AMECI, nos dias 24 e 25 de novembro de 2017, em Belo Horizonte.

 

 

Uma das coautoras dos trabalhos, Juliana Fantini Chaves Pereira

 

 

Confira abaixo a descrição dos trabalhos e os seus achados:

 

 

IMPACTO ECONÔMICO DAS COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À INTERNAÇÃO HOSPITALAR UTILIZANDO O DIAGNOSIS RELATED GROUPS (DRG) COMO AJUSTE DA COMPLEXIDADE EM UMA OPERADORA DE SAÚDE DE GRANDE PORTE EM MINAS GERAIS

 

INTRODUÇÃO: Durante a assistência podem ocorrer erros que levam a eventos adversos e que afetam diretamente a saúde do paciente e sua experiência no cuidado hospitalar. Estas condições adquiridas, não determinadas pelas condições clínicas de base do paciente, podem causar mortes, sequelas definitivas e transitórias, sofrimento psíquico, além de elevar o custo assistencial. OBJETIVO: Determinar o impacto econômico dos eventos adversos hospitalares, medido indiretamente por meio da variável “tempo de permanência hospitalar” em uma Operadora de Saúde de Grande Porte em Minas Gerais. MÉTODO: Estudo observacional prospectivo que compara o tempo de permanência hospitalar entre grupos de pacientes com presença ou ausência de condições adquiridas durante a internação hospitalar. Os dados utilizados foram coletados de 114.917 altas hospitalares no período de julho de 2016 a junho de 2017 por enfermeiras graduadas dedicadas exclusivamente à função, utilizando o sistema DRG Brasil®. A coleta das condições adquiridas foi dupla, realizada pelos codificadores do DRG e pelos serviços de segurança assistencial e controle de infecções hospitalares, que trabalham com a busca ativa para eventos infecciosos e não infecciosos nestas instituições. Os dados foram auditados por médicos e enfermeiros independentes que avaliaram e corrigiram as inconsistências. Foi selecionada uma amostra de conveniência que incluiu toda a população com permanência <30 dias na rede hospitalar contratada durante o período de estudo. Estes hospitais em conjunto possuem características que permitem uma grande variedade de casos. RESULTADOS: As condições adquiridas secundárias à assistência (eventos adversos) ocorreram em 10% dos pacientes (11.985) de 114.917 altas realizadas. Observou-se que a permanência global realizada desses pacientes foi de 88.378 dias (30.926 diárias acima do previsto pelo DRG), o que representa uma permanência média de 7,4 dias. A permanência média dos pacientes sem eventos observada foi de 2,1 dias. CONCLUSÕES: Pacientes com eventos adversos apresentam uma maior permanência hospitalar realizada quando comparados a pacientes sem eventos adversos. O impacto econômico representa o desperdício de 30.926 diárias realizadas além do previsto pelo DRG. Os pacientes com condições adquiridas durante a assistência consumiram 29% de leitos-dia utilizados por toda a população do estudo. O valor da economia potencial por ganho de produtividade desta operadora pode ser estimado entre 31 (R$ 1.000,00 leito-dia) e 124 milhões por ano (R$ 4.000,00 leito/dia).

 

Autor: Renato Camargos Couto

Coautores: Juliana Fantini, Camila Silveira, Daniele Gudeses, Luna Cosenza, Viviane Figueiredo

 

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EPIDEMIOLOGIA DOS EVENTOS ADVERSOS ASSISTENCIAIS EM UM HOSPITAL GERAL DE BELO HORIZONTE

 

INTRODUÇÃO: Definir a epidemiologia dos eventos adversos assistenciais infecciosos e não infecciosos hospitalares é essencial para estabelecer as diretrizes que possam minimizar a ocorrência desses fenômenos e seus impactos assistenciais e econômicos nas instituições de saúde. Estas ocorrências são a terceira causa de óbito nos EUA e no Brasil podem ser da primeira a quinta causa. OBJETIVO: Descrever a epidemiologia dos eventos adversos infecciosos e não infecciosos hospitalares na população estudada. MÉTODO: Trata-se de estudo observacional descritivo da epidemiologia dos eventos adversos infecciosos e não infecciosos ocorridos durante a internação em um hospital geral de Belo Horizonte, que atende apenas saúde suplementar, de 150 leitos, certificado nível 2 pela ONA. A coleta de dados foi feita através de busca ativa, retrospectiva, com a leitura dos prontuários hospitalares por uma equipe de enfermeiros treinados, dedicados exclusivamente à função. Os dados foram auditados por médicos e enfermeiros independentes que avaliaram e corrigiram as inconsistências. O banco de dados analisado possui um total de 8.419 altas ocorridas no período de julho de 2016 a junho de 2017. RESULTADOS: Dentre os 8.419 pacientes que receberam alta hospitalar, 859 sofreram pelo menos um tipo de evento adverso, uma incidência de 10,20%. Esses pacientes apresentaram um total de 1.212 eventos adversos, que foram classificados conforme códigos da CID-10. Desses eventos, 61 (5,03%) foram infecciosos e 1.151 (94,96%) não infecciosos. Os eventos adversos de maior ocorrência foram associados a dispositivos (aparelhos) gerais de uso hospitalar ou pessoal, associados a dispositivos (aparelhos) para fins terapêuticos (não-cirúrgicos) e aparelhagem de reabilitação - CID Y741 (40,26%); complicações vasculares subsequentes à infusão, transfusão e injeção terapêutica - CID T801 (35,23%); úlcera de decúbito - CID L89 (1,15%); dispositivos (aparelhos) usados em gastroenterologia e em urologia, associados a dispositivos (aparelhos) para fins terapêuticos (não-cirúrgicos) e aparelhagem de reabilitação – CID Y731 (1,07%); flebite e tromboflebite de outras localizações – CID I808 (0,82%); infecção do trato urinário de localização não especificada – CID N390 (0,82%); septicemia não especificada – CID A419 (0,82%). CONCLUSÃO: A incidência de eventos adversos infecciosos e não infecciosos se mostra elevada (10,2%) quando comparada a países desenvolvidos de melhor desempenho na segurança assistencial (3,7 %). Houve predomínio de eventos adversos não infecciosos em comparação as infecções relacionadas a assistência. O evento adverso não infeccioso mais frequente estava relacionado ao uso de dispositivos para fins terapêuticos (não cirúrgicos). Os eventos adversos infecciosos representaram 5,03% das ocorrências, sendo os mais comuns, infecção do trato urinário e septicemia não especificada. O conhecimento desta epidemiologia permitirá o melhor planejamento da gestão de risco assistencial.

 

 Autor: Renato Camargos Couto

 Coautores: Juliana Fantini, Camila Silveira, Daniele Gudeses, Luna Cosenza, Viviane Figueiredo

 

 

 

 

Acesse o site do Congresso: http://infeccaominas2017.com.br/