O que pode ser medido pode ser melhorado



 

Com o objetivo de auxiliar as cooperativas a se destacarem e alcançarem bons resultados, a Unimed Federação Minas intermediará a aquisição do DRG Brasil pelas Unimeds mineiras.

 

 

Normalmente, quando nos deparamos em nosso dia a dia com uma grande quantidade de elementos distintos, tentamos agrupá-los de modo a reunir aqueles que possuem características semelhantes. Organizamos nossas compras, dividindo os produtos de limpeza dos alimentos e, ao lavar as roupas, separamos as brancas das coloridas.

Essenciais para manter a organização e otimizar recursos, essas ações também podem ser aplicadas à gestão da saúde.

É o que faz o DRG (Diagnosis Related Groups ou Grupo de Diagnósticos Relacionados, em português), que vem sendo implantado gradualmente no Sistema Unimed mineiro.

Trata-se de uma ferramenta que avalia o perfil das internações hospitalares a partir da combinação de informações coletadas nos prontuários dos pacientes, tais como diagnósticos principal e secundário, comorbidades, idade e procedimentos realizados.

Atualmente, existem cerca de 784 números de DRG codificados. Cada uma delas é um "produto" que demanda uma quantidade de recursos necessários para o tratamento, como materiais, medicamentos e diárias.

Analisando-os, também é possível avaliar os resultados assistenciais encontrados, incluindo mortalidade e complicações associadas.

O cadastro em uma das categorias de DRG é feito durante a admissão do paciente em um hospital, com base em sua avaliação inicial. Dessa forma, o hospital e a operadora de saúde conseguem ter uma visão sobre os recursos necessários para conduzir o atendimento, como tempo de permanência em internação e procedimentos previstos. Segundo Luiz Otávio de Andrade, assessor de Regulação e Serviços de Saúde Integral, “essas informações favorecem o gerenciamento dos custos hospitalares, pois permitem que as organizações de saúde se planejem com antecedência, levando em consideração a complexidade assistencial dos pacientes”.

 

Metodologia de gestão DRG contribui para a qualidade dos serviços hospitalares

 

“Outra melhoria que o DRG pode gerar é a possibilidade de avaliar o desempenho das equipes multidisciplinares e, consequentemente, melhorar a qualidade do serviço prestado no atendimento ao paciente, fornecendo respostas terapêuticas mais adequadas e condições seguras para a alta hospitalar”, completa a gestora de Regulação de Serviços de Saúde da Unimed Federação Minas, Lilian Tameirão.

Além disso, o DRG pode mudar radicalmente a forma de valorar o custo assistencial no Brasil, pois “permite a realização da compra de serviços por pacote, a partir de indicadores de desempenho assistencial, e não apenas por procedimento, como é feito atualmente no país”, afirma o presidente do Instituto de Acreditação e Gestão em Saúde (IAG), Renato Couto.

O produto DRG Brasil foi desenvolvido por médicos PhDs da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em parceria com o IAG Saúde, tendo como base a metodologia DRG, hoje em uso por governos, hospitais e operadoras de serviços de saúde em quase todo o mundo.

 

RESULTADOS CONCRETOS

De acordo com Peter Drucker, professor e consultor administrativo de origem austríaca, conhecido como o pai da administração moderna, “o que pode ser medido pode ser melhorado”.

Com a utilização do DRG para estudo das internações hospitalares, a prática tem confirmado esse pensamento.

Na Unimed Uberlândia, o trabalho com o DRG está melhorando a qualidade do atendimento e a eficiência dos gastos. A Singular estruturou uma área focada em realizar auditorias diárias, que, por meio de visitas aos pacientes, codifica a situação de cada beneficiário. Assim é possível obter relatórios detalhados e conseguir analisar se a alta está excedida, por exemplo.

Como resultado, a cooperativa vem conquistando uma maior eficiência no uso de leitos, com 21% de menor custo na diária.

 

EXPERIÊNCIA PAULISTA

Na Unimed Santa Bárbara d’Oeste e Americana, em São Paulo, onde o DRG começou a ser utilizado em 2015, houve aumento de quase 40% na qualidade da análise epidemiológica das internações no Hospital Unimed Americana e na Santa Casa de Santa Bárbara d’Oeste, que reserva 30 leitos para a Unimed.

Isso também foi possível pela atuação dos auditores, equipe de profissionais coletores – preferencialmente enfermeiros – capacitados para utilizar o DRG. São eles que realizam a categorização dos pacientes admitidos, fornecendo o número de DRG, quantidade de dias previstos de internação e data provável da alta.

A equipe também monitora os dados para assegurar a efetividade do tratamento. “O perfil epidemiológico qualificado da rede prestadora favorece a desospitalização no tempo correto, o que aumenta a capacidade operacional do hospital, melhora a gestão dos leitos e reduz custos com despesas assistenciais”, enumera Mariana Zaha, do Núcleo de Informações Estratégicas da Unimed Santa Bárbara d’Oeste e Americana.

Segundo ela, com a adoção da ferramenta, a operadora passou a ter um parâmetro de comparação entre os códigos CID e DRG. “Observamos que o percentual de DRGs gerados em categorias diferentes dos CIDs foi de 36%, o que representa um ganho considerável para a análise epidemiológica dos dados, pois funciona como uma espécie de codificação em duas camadas, a segunda feita a partir da leitura detalhada dos prontuários pelos profissionais codificadores.”

Mariana Zaha também esclarece que, com o DRG, o percentual de identificação de CIDs secundários é maior. Isso ocorre porque a metodologia considera as doenças préexistentes, ou comorbidades do paciente, no momento da admissão para categorizar a internação. "Em termos de cuidado integrado, esse dado é de suma importância para ações de promoção e prevenção da saúde”, explica.

 

INVESTIMENTOS EM DESENVOLVIMENTO

Com o objetivo de auxiliar as cooperativas a se destacarem e alcançarem bons resultados, a Unimed Federação Minas prestará o serviço de intermediação entre as Unimeds mineiras e o IAG para a aquisição facilitada da ferramenta. Além disso, auxiliará no treinamento dos auditores contratados pelas Singulares. A expectativa é de que todas implantem o DRG até o fim de 2018.

 

 

 

Fonte: Revista da Unimed Federação Minas | Ano 6 - Edição 26 | Julho / Agosto / Setembro de 2017